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Origens de Jerusalém


Cidade Jerusalem
Cidade Jerusalem

Jerusalém, que esteve dividida em Jerusalém Oriental (na posse da Jordânia) e Jerusalém Ocidental (na posse de Israel) até 1967, foi unificada por este país após a Guerra dos Seis Dias, sendo eleita a capital de Israel. É o centro administrativo do país, tendo como actividades fundamentais as que estão ligadas ao sector terciário (finanças, turismo e comércio). Pelo simbolismo dos seus monumentos e da sua história, Jerusalém é considerada cidade santa pelos judeus, muçulmanos e cristãos.

Devido à sua importância religiosa e política, tem sido palco de grandes conflitos que perduram ainda nos nossos dias. Antiga cidade Cananeia, o seu nome tem origem talvez numa divindade amorrita: Shalem.

Quando os Hebreus entraram em Canaã, no século XIII a. C., Jerusalém era uma cidade independente à frente de uma confederação. Conservou a independência até ao reinado de David, que quis fazer dela um centro político e religioso, base da unidade do povo hebreu. David tomou a cidade em 1058 a. C. e construiu um palácio fazendo transportar para a cidade a Arca da Aliança. Preparou então a construção de um templo que só viria a ser erigido durante o governo do seu filho Salomão. Sob este último, a cidade perdeu poder na sequência da cisão do reino em 931 a. C.

Vários povos estiveram de posse da cidade: o faraó Sesaq, os Filisteus, que saquearam a cidade em 893 a. C.; Senaquerib, rei da Síria; Assurbanípal, rei de Nínive (666 a. C.), cujos generais prenderam o rei Manasés e o levaram para a Babilónia (quando regressou, este monarca reedificou a muralha erigida por seu pai Ezequias); Nabucodonosor, em 587 a. C., que incendiou a cidade e levou para o cativeiro da Babilónia muitos judeus entre os quais o profeta Daniel (só em 538 a. C. é que Ciro, rei da Pérsia, autorizou o regresso dos judeus a Jerusalém e permitiu a reconstrução do templo e da Cidade Santa que foi completada em 445 a. C.).

Alexandre Magno entrou em Jerusalém em 332 a. C., respeitando os costumes dos judeus mas destruindo a hegemonia persa; os Selêucidas, que saíram vitoriosos sobre os lágidas egípcios, helenizaram a cidade iniciando a sua decadência; os Romanos, a partir de 63 a. C., enviaram Pompeio a Jerusalém com o intuito de debelar uma guerra civil, tornando-se a cidade tributária de Roma. A partir daqui sucedem-se vários governadores romanos.

Muro Ocidental Jerusalem
Muro ocidental Jerusalem

A inflexibilidade de alguns governadores romanos deu lugar a um conflito que provocou a morte a muitos romanos. Tito, filho do imperador Vespasiano, atacou Jerusalém em 70 a. C., destruindo os edifícios judaicos e apoderando-se da cidade. Foi erigido um altar a Júpiter no lugar do templo judaico, o que provocou conflitos que terminaram com a vitória do imperador Adriano em 135 d. C., interditando a cidade aos judeus. O édito de Milão por Constantino motivou a procura dos lugares santos pelos cristãos e o seu estabelecimento em Jerusalém, que teve o maior impulso quando Santa Helena, mãe do imperador, encontrou a relíquia da Santa Cruz. Em 638 foi a vez de os muçulmanos atacarem a cidade sob o comando do califa Omar e transformarem-na na cidade santa do Islão - al-Quds. Os muçulmanos foram até certo ponto tolerantes para com os cristãos, mantendo boas relações.

Contudo, o auxílio dado pelos cristãos aos bizantinos não agradou aos muçulmanos provocando a discórdia, o que resultou na destruição do Santo Sepulcro pelo califa Al Ha Kam, em 1010. Os Turcos, por sua vez, começaram a oprimir os cristãos em 1077 quando ficaram de posse da Palestina, o que motivou a primeira cruzada à Terra Santa em 1095. Em 1099 Godofredo de Bolhões foi eleito soberano de Jerusalém. O reino de Jerusalém seria posteriormente destruído por Saladino em 1187, mantendo intacto o Santo Sepulcro mediante o pagamento de um largo tributo. Esteve nas mãos dos Mamelucos do século XIII ao século XVI, verificando-se neste período uma predominância da população muçulmana. Em 1517 são os turcos que conquistam Jerusalém sob Selim I. A ocupação otomana estende-se até 1917 reflectindo-se numa perda de importância de Jerusalém como lugar santo cristão e, em contrapartida, numa renovação da comunidade judaica.

Jerusalém no século 19


No século XIX verificou-se a fixação de judeus e cristãos em bairros localizados em torno do núcleo central da cidade. Constituiu o seu centro intelectual, Telavive o centro económico. Passou a ser palco de conflitos entre judeus e muçulmanos, que se tornaram mais violentos a partir de 1947. Depois da Guerra dos Seis Dias (1967), a coligação composta pelo Egipto, Síria e Jordânia ficou sob o controlo israelita. Os Estados Árabes condenaram a proclamação de Jerusalém como capital eterna de Israel em 1980, o que provocou o recrudescimento dos conflitos. Para além dos edifícios construídos pelas diferentes religiões (católica, protestante, ortodoxa, judaica e muçulmana), destacam-se a Cúpula do Rochedo, chamada também Mesquita de Omar, e o monumento mais significativo - o Santo Sepulcro.

Erigido em 336 por Constantino, foi várias vezes destruído e reconstruído: foi vítima de incêndio em 614; foi destruído novamente em 1010 pela acção dos muçulmanos e foi reedificado em 1168 pelos cruzados; um incêndio voltou a destruir parte da basílica em 1808 mas esta foi reparada em 1810 com um novo projecto. A sua cúpula, que só se concluiu em 1868, abriga o túmulo de Cristo no centro do monumento. Apesar das disputas históricas, a cidade velha de Jerusalém e as suas muralhas (local proposto pela Jordânia) foram designadas Património Mundial pela UNESCO. © Israel © Origem Emmanuel BUCHOT e Infopedia.

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